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sábado, 7 de maio de 2011

Crueldade para com os animais

Em recente visita ao Porto Santo, constatámos uma situação de extrema crueldade para com animais, neste caso concreto cães, à qual não poderíamos ficar indiferentes. Cães, que ao que tudo indica são propriedade de um caçador, uma vez que se tratam de cães de caça, tipo galgos.

Um cão adulto e um infantil a viver na pior imundice, nas suas próprias fezes acumuladas, com enxames e enxames de moscas, a picá-los e feri-los; o adulto já com feridas e o cachorrinho sem forças para se pôr de pé. Nos dias que ali passámos nunca vimos uma tigela com água e a do alimento sempre vazia e suja de fezes. Aproximámo-nos e só podemos ver uma tristeza sem fim naqueles olhos meigos e apesar do seu sofrimento, abanaram as caudas quando lhes falamos e lhes proporcionamos algum alimento.

Fazemos recordar (ou quem sabe falar pela primeira vez) na Declaração Universal dos Direitos dos Animais, da UNESCO. (...)

Numa ilha pequena como é o Porto Santo com a quantidade de animais (cães e gatos) que vimos, leva-nos a pensar que as instituições de poder local, nomeadamente a Câmara Municipal e/ou a Junta de Freguesia e outras, deveriam promover ações de sensibilização para elucidar as pessoas que possuem animais de estimação (ou supostamente de estimação), os cuidados e práticas a ter para com estes.

Porque os animais, tal como nós, também sentem dor, solidão, tristeza, depressão, fome e sede. Se não os querem e/ou não os podem amar e tratar como merecem, não os tenham. Comprem animais de loiça, ou peluche, pois esses não exigem nada, nem dão despesa e trabalho a ninguém. Sejam seres humanos, sejam pessoas, sejam bons cidadãos e transmitam bons valores, boas práticas e bons exemplos às gerações futuras.


DN Madeira

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves lança campanha para ajudar a “freira da Madeira”

A SPEA precisa, urgentemente, de 7.000 euros para ajudar a recuperar o habitat da freira da Madeira, a ave marinha com maior perigo de extinção na Europa e que foi muito afectada pelos incêndios nas serras madeirenses. A campanha foi lançada a 26 de Agosto e decorre até 26 de Setembro. Os donativos podem ser transferidos para o NIB: 0033.0000.00260345382.05

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, (SPEA) acaba de lançar uma campanha para ajudar a recuperar o habitat da Freira da Madeira, a ave marinha mais ameaçada de extinção na Europa, que nidifica nas serras madeirenses e que foi afectada pelos recentes incêndios nas serras.

A campanha decorrerá entre 26 de Agosto e 26 de Setembro e o objectivo da SPEA é angariar 7000€ , a verba necessária para os trabalhos que precisa executar, em colaboração com o Parque Natural da Madeira (PNM). Os donativos podem ser transferidos para o NIB: 0033.0000.00260345382.05.

Segundo a SPEA, a urgência de assegurar essa quantia prende-se com a necessidade de adquirir uma manta anti-erosão, material para criar os ninhos artificiais e remoção de vegetação exótica, equipamento de montanha e assegurar as despesas de pessoal especializado.

A SPEA lembra que, «na última semana a Madeira sofreu incêndios sem precedentes que arrasaram todo o maciço montanhoso central da ilha e cerca de 92% do Parque Ecológico do Funchal. O impacto na flora e na fauna foi devastador, sobretudo para a Freira da Madeira, a ave mais ameaçada da Europa na actualidade».

Diz a SPEA que, na sequência dos incêndios, desapareceram alguns exemplares de espécies vegetais únicas em todo o mundo (ex.: Sorveira Sorbus maderensis) e a ave marinha mais ameaçada da Europa, a Freira da Madeira (Pterodroma madeira) viu desaparecer por completo todo o seu habitat de nidificação.

«As consequências são ainda mais devastadoras para esta espécie protegida, devido ao período de reprodução da mesma, uma vez que é durante o mês de Agosto que nascem as crias e estas estão nos ninhos totalmente dependentes das visitas dos pais», explica a SPEA.

Segundo a SPEA, «após a equipa do PNM ter conseguido aceder com dificuldade aos ninhos, devido à instabilidade dos solos e queda de pedras, foram encontradas 25 crias e 3 adultos mortos e apenas 13 juvenis sobreviventes. O balanço não é de forma alguma positivo e o desafio acontecerá sobretudo no Inverno e na próxima época de nidificação, altura em que a Freira necessita encontrar condições para se reproduzir». (JM)

domingo, 20 de junho de 2010

Borboleta Grande-Branca-da-Madeira desaparecida há 20 anos





Extinguiu-se sem se saber bem porquê. A última vez que a grande-branca-da-madeira foi observada foi em Maio de 1977. O seu desaparecimento poderá ter sido provocado pelo vírus da granulose trazido pela pequena-branca, uma espécie introduzida pelo homem

Era grande, branca e só existia na ilha da Madeira: daí ser vulgarmente conhecida como grande-branca-da-madeira. Os últimos exemplares vivos da borboleta Pieris brassicae wollastoni foram observados em Maio de 1977 na Encumeada e no Paul da Serra. Não existiam indícios de que estivesse ameaçada. Nada fazia prever que fosse desaparecer. E, por isso, nada foi feito no sentido da sua conservação.

Apesar das referências à sua última observação remontarem a 1977, António Aguiar Branquinho, do Laboratório de Qualidade Agrícola da Madeira, especialista em borboletas da ilha, salienta que "existem indicações de que estão depositados numa colecção particular exemplares colhidos de 1982 a 1986, ou seja, uma década mais tarde".

Até 1950, a grande-branca foi referenciada sempre a altitudes superiores a 650 metros, incluindo na laurissilva húmida que se estende até aos 1200 metros. "A partir desta data, começa a voar também a altitudes inferiores, em zonas agrícolas onde as suas lagartas são encontradas a alimentar-se de couve", refere António Branquinho. Apareciam às dúzias em cima das folhas da couve e, por isso, eram facilmente observadas. Em adultas, o seu tamanho e coloração branca também não lhes permitiam passar facilmente despercebidas.
O seu desaparecimento é quase um mistério, existindo por isso várias explicações para a sua extinção. A maioria das hipóteses incide nas ameaças ao habitat da borboleta, resultantes da acção humana, nomeadamente as queimadas florestais, a acção do pastoreio desordenado e as actividades agrícolas. "Sou da opinião de que nenhuma dessas hipóteses explica o desaparecimento desta borboleta, até porque algumas destas actividades já estavam em diminuição na altura dos acontecimentos e outras como o pastoreio não aconteciam no seu habitat", explica o especialista em borboletas da Madeira.

Para António Aguiar Branquinho, uma das hipóteses mais credíveis é a de Gardiner (2003) "que propõe que o desaparecimento da Pieris bassicae wollastoni ocorreu pouco depois da introdução na Madeira em 1974 da espécie Pieris rapae (pequena-branca), que foi aparentemente arrastada pelo 'leste' a partir do Sul da Europa, e que esta última poderia ser portadora de uma estirpe do vírus da granulose que afecta as borboletas do género Pieris".

De acordo com a explicação de Gardiner, a grande-branca não teria defesas para combater a estirpe, por nunca ter sido exposta ao vírus. "Este vírus poderia assim ter originado uma infecção generalizada ao ponto de dizimar as populações da borboleta", explica o especialista. E acrescenta: "Outra hipótese credível seria a introdução natural de uma vespa parasita do género Apanteles como A. Glomerata, que na Europa é responsável por 95% das mortes de lagartas das borboletas do género Pieris.

A biologia da grande-branca não chegou a ser estudada em pormenor. Como qualquer outra borboleta, o seu ciclo de vida incluía quatro fases: ovo, larva ou lagarta, pupa ou crisálida e insecto adulto.

"Pelos registos já publicados, sabemos que voava de Março a Novembro entrando em diapausa no Inverno. Pouco mais se sabe, incluindo quantas gerações anuais apresentava", diz António Branquinho.

Este especialista em borboletas acredita que das restantes três espécies e uma subespécie endémicas da Madeira, nenhuma delas se encontra em perigo.

"Das quatro, apenas a cleópatra--da-madeira, Gonepteryx maderensis, apresenta populações localizadas, mas como o seu habitat é a laurissilva e esta floresta na Madeira é a mais bem preservada da Macaronésia, em princípio, a borboleta também o estará", conclui Aguiar Branquinho.(DN)