As Selvagens e a ZEE…
As Ilhas Selvagens, pela sua localização, assumem particular importância no contexto político português, tendo já sido visitada por anteriores Presidentes da República.
Este conjunto de ilhas tem um valor indiscutível relativamente à Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa.
A ZEE é uma faixa que se inicia a partir da linha base de costa com 370400 km (200 milhas marítimas). Em termos práticos, nesta faixa é permitido prospectar, explorar, conservar e gerir todos os recursos naturais vivos e não vivos, do fundo do mar, do seu subsolo, e das águas sobrejacentes.
São ainda permitidas todas as outras actividades que tenham por fim o estudo e a exploração económica da zona, tais como a produção de energia a partir da água das correntes e do vento, tanto na plataforma continental como na ZEE.
Portugal e a ZEE…
Desta forma, Portugal (com todos os seus arquipélagos) fica num lugar de destaque e de responsabilidade no “domínio” do Atlântico Nordeste. Portugal detém a mais extensa ZEE da União Europeia, ou seja, cerca de 1,6 milhões de km2, qualquer coisa como 18 vezes a área continental.
Soberania portuguesa…
Assinalar a soberania portuguesa nas Ilhas Selvagens é garantir a tutela sobre esta ZEE e pelas respectivas águas territoriais. O arquipélago é pequeno, mas permite um aumento significativo da ZEE portuguesa e, assim, acréscimo das possibilidades de exploração de recursos.
A soberania sobre as Ilhas Selvagens é uma também uma forma de salvaguardar os interesses de Portugal. A questão deste grupo insular e da sua soberania ganham destaque quando são conhecidas as pretensões espanholas e todo o tipo de estratagemas para reverter uma parte substancial da ZEE portuguesa para parte espanhola.
Espanha…
Dado que não é já possível reclamar soberania espanhola, a Espanha procurou alterar o estatuto das Selvagens para rochedos, em vez de ilhas.
Os rochedos não têm ZEE pelo que a mediana da ZEE passaria a ser traçada entre as Canárias e a Madeira, ficando as Selvagens completamente dentro da ZEE espanhola (apenas as águas territoriais em torno de cada rochedo seriam portuguesas).
A afirmação portuguesa…
Em 1996, foi feita uma declaração em que se aludiu às ilhas Selvagens como rochedos, devido a uma forte pressão espanhola mas o Ministério da Defesa logo inverteu esta situação e evitou que a ratificação da Convenção sobre os direitos do mar mergulhasse as ilhas na posse espanhola.
Neste aspecto, a Constituição portuguesa e o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira, são bastante conclusivos.
A verdade é que as ilhas Selvagens são um importante, e raro local de riqueza biológica, tal como um ponto estratégico de enorme valor! (J.M)
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segunda-feira, 18 de julho de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Parque Natural assinala 40.º aniversário da Reserva das Ilhas Selvagens
O Serviço do Parque Natural da Madeira apresenta, na próxima segunda-feira, o programa de comemoração do 40.º aniversário da Reserva Natural das Ilhas Selvagens, a primeira de Portugal.
Um dos eventos mais marcantes do programa será o 'Open Ocean Crowssing JR40 Selvagens', que envolve o velejador João Rodrigues, padrinho da Reserva Natural durante 2011.
A apresentação do programa está previsto para 11 de Abril, às 17 horas, na Estalagem Quinta da Casa Branca.(D.Noticias)
Um dos eventos mais marcantes do programa será o 'Open Ocean Crowssing JR40 Selvagens', que envolve o velejador João Rodrigues, padrinho da Reserva Natural durante 2011.
A apresentação do programa está previsto para 11 de Abril, às 17 horas, na Estalagem Quinta da Casa Branca.(D.Noticias)
terça-feira, 8 de março de 2011
Evento promove Selvagens
Este mês, assinalam-se os 21 anos da aprovação do Decreto Legislativo Regional que criou a Área de Protecção Especial das Ilhas Desertas sendo que, em 1995, passou a Reserva Natural, através de um outro Decreto Legislativo. A exemplo de anos anteriores, e por inerência daquelas que são as suas competências, nomeadamente, ao nível da educação ambiental e divulgação, o Parque Natural da Madeira voltará a desenvolver uma panóplia de acções de divulgação relativamente à Reserva.
Contudo, este ano, todas as energias estão canalizadas para uma outra data especial, mas desta feita, em relação às Selvagens. Recorde-se que estas ilhas encontram-se legalmente protegidas desde 1971, como Reserva, tendo sido a primeira de Portugal. Em 1978 foram classificadas como Reserva Natural. Desde 1992, são distinguidas com o Diploma Europeu do Conselho da Europa para Áreas Protegidas (reserva biogenética), como reconhecimento do grande interesse do seu Património Natural, bem como do trabalho desenvolvido em prol da Conservação. Integram a Rede Natura 2000, como Zona de Protecção Especial (ZPE) e Zona Especial de Conservação (ZEC).
A data é assinalada no final deste ano, mas já este mês serão apresentados um conjunto de acções que visam assinalar a data. O ponto alto será já em Abril. E de acordo com o director do Parque Natural, será «muito alto mesmo», sublinhando Paulo Oliveira que será «uma coisa inédita a nível nacional e eventualmente internacional». Um evento, prossegue, «que pretende divulgar as Selvagens muito longe», embora prefira não levantar mais o véu sobre o assunto.
A Reserva Natural das Ilhas Selvagens tem uma área total de 9455 hectares, é delimitada pela batimétrica dos 200 metros e inclui todas as ilhas e ilhéus. Através do estatuto de protecção total são resguardados os ecossistemas de toda a área terrestre (Selvagem Grande, Selvagem Pequena, Ilhéu de Fora e ilhéus adjacentes) e de toda a área marinha adjacente.
“Desertinha” está de regresso à Região
O corpo da “Desertinha”, a emblemática fêmea que ao longo de mais de 20 anos foi uma das principais reprodutoras da reserva de lobos marinhos e que morreu no início do mês de Dezembro de 2008, devido a problemas de saúde, deverá estar de regresso à Região nos próximos dias, já devidamente embalsamado e pronto a ser colocado num «local de grande visitação», segundo confidenciou ao JM o secretário do Ambiente e Recursos Naturais.
«Já foi embalsamada e está de regresso à Região para ser exposta num local de grande visitação. Vamos pôr na Madeira um dos exemplares como forma de também divulgar e valorizar o trabalho que é feito nas Desertas», disse, acrescentando que «a principal hipótese» em termos de exposição passa pelo Museu da Baleia, no Caniçal.
Quanto às Desertas, em declarações ao JM, Manuel António diz que o decreto regional que instituiu a Reserva traduziu uma opção de «fazer uma boa gestão» do espaço, a exemplo de outros. «Basta pensar que dois terços da Região estão protegidos juridicamente», lembrou.
No caso concreto das Desertas, recordou que ali se desenrola um conjunto de actividades com vista a defender e valorizar o património natural “in situ”, tendo destacado o projecto dos lobos marinhos, que é hoje estudado à escala internacional e alvo de colaboração com entidades internacionais. As ilhas são hoje alvo de muita visitação, quer turística quer científica, aproveitando também o melhoramento das instalações que foi feito há poucos anos. «O que se passa lá é um bom paradigma que queremos estender cada vez mais a outros espaços da Madeira». A ideia, diz, passa por criar um «ciclo vicioso positivo», em que «mais ambiente cria maior estímulo à economia, particularmente, através do turismo, e porque se criou emprego e valor acrescentado, também as pessoas sentem-se estimuladas a apostar cada vez mais no ambiente. No fundo, estamos a tratar de desenvolvimento sustentável no arquipélago da Madeira», concluiu. (J.M)
Contudo, este ano, todas as energias estão canalizadas para uma outra data especial, mas desta feita, em relação às Selvagens. Recorde-se que estas ilhas encontram-se legalmente protegidas desde 1971, como Reserva, tendo sido a primeira de Portugal. Em 1978 foram classificadas como Reserva Natural. Desde 1992, são distinguidas com o Diploma Europeu do Conselho da Europa para Áreas Protegidas (reserva biogenética), como reconhecimento do grande interesse do seu Património Natural, bem como do trabalho desenvolvido em prol da Conservação. Integram a Rede Natura 2000, como Zona de Protecção Especial (ZPE) e Zona Especial de Conservação (ZEC).
A data é assinalada no final deste ano, mas já este mês serão apresentados um conjunto de acções que visam assinalar a data. O ponto alto será já em Abril. E de acordo com o director do Parque Natural, será «muito alto mesmo», sublinhando Paulo Oliveira que será «uma coisa inédita a nível nacional e eventualmente internacional». Um evento, prossegue, «que pretende divulgar as Selvagens muito longe», embora prefira não levantar mais o véu sobre o assunto.
A Reserva Natural das Ilhas Selvagens tem uma área total de 9455 hectares, é delimitada pela batimétrica dos 200 metros e inclui todas as ilhas e ilhéus. Através do estatuto de protecção total são resguardados os ecossistemas de toda a área terrestre (Selvagem Grande, Selvagem Pequena, Ilhéu de Fora e ilhéus adjacentes) e de toda a área marinha adjacente.
“Desertinha” está de regresso à Região
O corpo da “Desertinha”, a emblemática fêmea que ao longo de mais de 20 anos foi uma das principais reprodutoras da reserva de lobos marinhos e que morreu no início do mês de Dezembro de 2008, devido a problemas de saúde, deverá estar de regresso à Região nos próximos dias, já devidamente embalsamado e pronto a ser colocado num «local de grande visitação», segundo confidenciou ao JM o secretário do Ambiente e Recursos Naturais.
«Já foi embalsamada e está de regresso à Região para ser exposta num local de grande visitação. Vamos pôr na Madeira um dos exemplares como forma de também divulgar e valorizar o trabalho que é feito nas Desertas», disse, acrescentando que «a principal hipótese» em termos de exposição passa pelo Museu da Baleia, no Caniçal.
Quanto às Desertas, em declarações ao JM, Manuel António diz que o decreto regional que instituiu a Reserva traduziu uma opção de «fazer uma boa gestão» do espaço, a exemplo de outros. «Basta pensar que dois terços da Região estão protegidos juridicamente», lembrou.
No caso concreto das Desertas, recordou que ali se desenrola um conjunto de actividades com vista a defender e valorizar o património natural “in situ”, tendo destacado o projecto dos lobos marinhos, que é hoje estudado à escala internacional e alvo de colaboração com entidades internacionais. As ilhas são hoje alvo de muita visitação, quer turística quer científica, aproveitando também o melhoramento das instalações que foi feito há poucos anos. «O que se passa lá é um bom paradigma que queremos estender cada vez mais a outros espaços da Madeira». A ideia, diz, passa por criar um «ciclo vicioso positivo», em que «mais ambiente cria maior estímulo à economia, particularmente, através do turismo, e porque se criou emprego e valor acrescentado, também as pessoas sentem-se estimuladas a apostar cada vez mais no ambiente. No fundo, estamos a tratar de desenvolvimento sustentável no arquipélago da Madeira», concluiu. (J.M)
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves lança campanha para ajudar a “freira da Madeira”
A SPEA precisa, urgentemente, de 7.000 euros para ajudar a recuperar o habitat da freira da Madeira, a ave marinha com maior perigo de extinção na Europa e que foi muito afectada pelos incêndios nas serras madeirenses. A campanha foi lançada a 26 de Agosto e decorre até 26 de Setembro. Os donativos podem ser transferidos para o NIB: 0033.0000.00260345382.05
A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, (SPEA) acaba de lançar uma campanha para ajudar a recuperar o habitat da Freira da Madeira, a ave marinha mais ameaçada de extinção na Europa, que nidifica nas serras madeirenses e que foi afectada pelos recentes incêndios nas serras.
A campanha decorrerá entre 26 de Agosto e 26 de Setembro e o objectivo da SPEA é angariar 7000€ , a verba necessária para os trabalhos que precisa executar, em colaboração com o Parque Natural da Madeira (PNM). Os donativos podem ser transferidos para o NIB: 0033.0000.00260345382.05.
Segundo a SPEA, a urgência de assegurar essa quantia prende-se com a necessidade de adquirir uma manta anti-erosão, material para criar os ninhos artificiais e remoção de vegetação exótica, equipamento de montanha e assegurar as despesas de pessoal especializado.
A SPEA lembra que, «na última semana a Madeira sofreu incêndios sem precedentes que arrasaram todo o maciço montanhoso central da ilha e cerca de 92% do Parque Ecológico do Funchal. O impacto na flora e na fauna foi devastador, sobretudo para a Freira da Madeira, a ave mais ameaçada da Europa na actualidade».
Diz a SPEA que, na sequência dos incêndios, desapareceram alguns exemplares de espécies vegetais únicas em todo o mundo (ex.: Sorveira Sorbus maderensis) e a ave marinha mais ameaçada da Europa, a Freira da Madeira (Pterodroma madeira) viu desaparecer por completo todo o seu habitat de nidificação.
«As consequências são ainda mais devastadoras para esta espécie protegida, devido ao período de reprodução da mesma, uma vez que é durante o mês de Agosto que nascem as crias e estas estão nos ninhos totalmente dependentes das visitas dos pais», explica a SPEA.
Segundo a SPEA, «após a equipa do PNM ter conseguido aceder com dificuldade aos ninhos, devido à instabilidade dos solos e queda de pedras, foram encontradas 25 crias e 3 adultos mortos e apenas 13 juvenis sobreviventes. O balanço não é de forma alguma positivo e o desafio acontecerá sobretudo no Inverno e na próxima época de nidificação, altura em que a Freira necessita encontrar condições para se reproduzir». (JM)
A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, (SPEA) acaba de lançar uma campanha para ajudar a recuperar o habitat da Freira da Madeira, a ave marinha mais ameaçada de extinção na Europa, que nidifica nas serras madeirenses e que foi afectada pelos recentes incêndios nas serras.
A campanha decorrerá entre 26 de Agosto e 26 de Setembro e o objectivo da SPEA é angariar 7000€ , a verba necessária para os trabalhos que precisa executar, em colaboração com o Parque Natural da Madeira (PNM). Os donativos podem ser transferidos para o NIB: 0033.0000.00260345382.05.
Segundo a SPEA, a urgência de assegurar essa quantia prende-se com a necessidade de adquirir uma manta anti-erosão, material para criar os ninhos artificiais e remoção de vegetação exótica, equipamento de montanha e assegurar as despesas de pessoal especializado.
A SPEA lembra que, «na última semana a Madeira sofreu incêndios sem precedentes que arrasaram todo o maciço montanhoso central da ilha e cerca de 92% do Parque Ecológico do Funchal. O impacto na flora e na fauna foi devastador, sobretudo para a Freira da Madeira, a ave mais ameaçada da Europa na actualidade».
Diz a SPEA que, na sequência dos incêndios, desapareceram alguns exemplares de espécies vegetais únicas em todo o mundo (ex.: Sorveira Sorbus maderensis) e a ave marinha mais ameaçada da Europa, a Freira da Madeira (Pterodroma madeira) viu desaparecer por completo todo o seu habitat de nidificação.
«As consequências são ainda mais devastadoras para esta espécie protegida, devido ao período de reprodução da mesma, uma vez que é durante o mês de Agosto que nascem as crias e estas estão nos ninhos totalmente dependentes das visitas dos pais», explica a SPEA.
Segundo a SPEA, «após a equipa do PNM ter conseguido aceder com dificuldade aos ninhos, devido à instabilidade dos solos e queda de pedras, foram encontradas 25 crias e 3 adultos mortos e apenas 13 juvenis sobreviventes. O balanço não é de forma alguma positivo e o desafio acontecerá sobretudo no Inverno e na próxima época de nidificação, altura em que a Freira necessita encontrar condições para se reproduzir». (JM)
domingo, 20 de junho de 2010
Sozinhos na ilha Selvagem Pequena

Estão sempre dois. Dois vigilantes numa ilha do tamanho de 20 campos de futebol. A Selvagem Pequena só é habitada no Verão. No Inverno não se consegue desembarcar numa das duas ilhas oceânicas mais a Sul de Portugal.
Sandro Correia e Ricardo Cabral são vigilantes do Parque Natural da Madeira. Fizeram o curso juntos. Nove anos depois voltam a encontrar-se no trabalho e isso deixa-os muito satisfeitos.
Sandro Correia tem 32 anos. Há quem lhe chame o Chuck Norris das Selvagens. Os olhos azuis escondem um homem reservado, de poucas falas, mas pronto a disparar sorrisos com a suavidade que o isolamento desejado adocica. Sandro gosta de estar três semanas sem telemóvel, sem internet, sem jornais, fechado na ilha. A televisão liga-os ao mundo. O botão "on/off" do aparelho tem aqui uma importância diferente. Tudo é diferente aqui.
As comunicações fazem-se via rádio com a Selvagem Grande. Caso falhe e os vigilantes estejam com problemas, o farol do Pico do Veado é tapado (trata-se do ponto mais alto da ilha, com 49 metros de altitude). Será a última tentativa de enviar um SOS.
Água canalizada potável não há. Casa de banho também não. A electricidade é produzida por painéis solares. O lixo é levado pelo barco patrulha. E até a barba é feita num espelho redondo e partido colocado numa das paredes de madeira da única infra-estrutura que existe na Selvagem Pequena: a casa dos vigilantes.
É impossível não querer espreitar. Duas camas individuais encostadas à parede. Uma cozinha pequena. Um balcão. Algumas prateleiras. Loiças e tachos à vista. Um frigorífico (sempre abastecido de minis). Um leitor de CD. Uma televisão. E está feita a descrição. O resto são sensações. Acolhedor de dia. Lúgubre à noite. Um magnífico pôr-do-Sol. Uma escuridão temerosa. E aquela constante brisa do mar.
Para completar o cenário faltam as piadas de Ricardo Cabral. Ora são anedotas, ora trocadilhos inventados no momento. Uns atrás dos outros. Ricardo acorda e, enquanto arruma o sono e prepara o pequeno almoço já está disperto para fazer rir. Sandro acompanha soltando sorrisos.
Quando têm visitas (o que só pode acontecer com autorização do Parque Natural da Madeira) trajam como manda a entidade patronal. Sempre que a única presença humana são eles vestem-se como a natureza determina. Quentes no frio. Frescos quando os abrasadores ventos de África trazem as areias do Deserto do Sahara.
As duas ilhas pertencem à “Rede Natura 2000”, ou seja, são zonas onde se está obrigado a conservar os habitat e as espécies selvagens. As Selvagens são um paraíso de nidificação para as aves marinhas. A Pequena está, por agora, cheia de ninhos dos Calcamares.
É uma ave que voa calcando o mar. Endémica da Macaronésia, o Calcamar nidifica em solos arenosos onde escava profundos ninhos. O chão da Pequena foi tomado pelos Calcamares. Sair dos poucos trilhos que existem é, muito provavelmente, esmagar alguns ovos com os pés. Tal como as outras aves marinhas, o Calcamar coloca um único ovo e o juvenil só se reproduz pela primeira vez vários anos depois.
As aves não estão sozinhas. O homem está. Na Selvagem Pequena ainda mais que na Grande. Mas da Grande prometo contar-vos tudo em breve.(Sic)
Sandro Correia e Ricardo Cabral são vigilantes do Parque Natural da Madeira. Fizeram o curso juntos. Nove anos depois voltam a encontrar-se no trabalho e isso deixa-os muito satisfeitos.
Sandro Correia tem 32 anos. Há quem lhe chame o Chuck Norris das Selvagens. Os olhos azuis escondem um homem reservado, de poucas falas, mas pronto a disparar sorrisos com a suavidade que o isolamento desejado adocica. Sandro gosta de estar três semanas sem telemóvel, sem internet, sem jornais, fechado na ilha. A televisão liga-os ao mundo. O botão "on/off" do aparelho tem aqui uma importância diferente. Tudo é diferente aqui.
As comunicações fazem-se via rádio com a Selvagem Grande. Caso falhe e os vigilantes estejam com problemas, o farol do Pico do Veado é tapado (trata-se do ponto mais alto da ilha, com 49 metros de altitude). Será a última tentativa de enviar um SOS.
Água canalizada potável não há. Casa de banho também não. A electricidade é produzida por painéis solares. O lixo é levado pelo barco patrulha. E até a barba é feita num espelho redondo e partido colocado numa das paredes de madeira da única infra-estrutura que existe na Selvagem Pequena: a casa dos vigilantes.
É impossível não querer espreitar. Duas camas individuais encostadas à parede. Uma cozinha pequena. Um balcão. Algumas prateleiras. Loiças e tachos à vista. Um frigorífico (sempre abastecido de minis). Um leitor de CD. Uma televisão. E está feita a descrição. O resto são sensações. Acolhedor de dia. Lúgubre à noite. Um magnífico pôr-do-Sol. Uma escuridão temerosa. E aquela constante brisa do mar.
Para completar o cenário faltam as piadas de Ricardo Cabral. Ora são anedotas, ora trocadilhos inventados no momento. Uns atrás dos outros. Ricardo acorda e, enquanto arruma o sono e prepara o pequeno almoço já está disperto para fazer rir. Sandro acompanha soltando sorrisos.
Quando têm visitas (o que só pode acontecer com autorização do Parque Natural da Madeira) trajam como manda a entidade patronal. Sempre que a única presença humana são eles vestem-se como a natureza determina. Quentes no frio. Frescos quando os abrasadores ventos de África trazem as areias do Deserto do Sahara.
As duas ilhas pertencem à “Rede Natura 2000”, ou seja, são zonas onde se está obrigado a conservar os habitat e as espécies selvagens. As Selvagens são um paraíso de nidificação para as aves marinhas. A Pequena está, por agora, cheia de ninhos dos Calcamares.
É uma ave que voa calcando o mar. Endémica da Macaronésia, o Calcamar nidifica em solos arenosos onde escava profundos ninhos. O chão da Pequena foi tomado pelos Calcamares. Sair dos poucos trilhos que existem é, muito provavelmente, esmagar alguns ovos com os pés. Tal como as outras aves marinhas, o Calcamar coloca um único ovo e o juvenil só se reproduz pela primeira vez vários anos depois.
As aves não estão sozinhas. O homem está. Na Selvagem Pequena ainda mais que na Grande. Mas da Grande prometo contar-vos tudo em breve.(Sic)
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