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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Alunos de escola de Santana sem transporte por falta de pagamento

Os alunos da escola Bispo D. Manuel Ferreira Cabral, em Santana, ficaram hoje privados do habitual transporte de casa para aquele estabelecimento de ensino pelo facto da empresa de transportes, a Atalaia, ter suspendido o serviço por falta de pagamento desde 2011.

Segundo adiantou a vice-presidente do Conselho Executivo esta situação deve-se "à falta de pagamentos que ainda não foram feitos relativamente a 2011". Otília Berenguer confirma que esta é a segundo vez que a situação acontece este ano. "O responsável pela empresa diz não ter forma de abastecer os autocarros e não pôde fazer o serviço hoje".

Otília Berenguer adianta que este problema já foi comunicado à Secretaria Regional de Educação e dos Recurso Humanos logo pela manhã, no entanto, "ainda não temos mais informações. Estamos a aguardar informações".

Caso não seja assegurado transporte, os alunos terão de ser transportados para casa ou por familiares, pelos pais ou optarem pelos transportes públicos. DN Madeira

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Um verdadeiro guardião das casas de colmo

António Caires é dono da única empresa que constrói e 'abafa' casas de colmo. A sua 'aventura' começou há mais de 20 anos. Hoje há menos casas de colmo, mas ainda continua a existir trabalho.

"Comecei nisto há mais de 20 anos, tinha 18 ou 19 anos, numa casa que minha avó tinha."
António Caires, construtor de casas de colmo

Vulgarmente denominadas de 'casinhas de Santana', as casas de colmo continuam a ser um dos cartazes turísticos mais famosos da Madeira e uma das suas grandes bandeiras promocionais além fronteiras. Actualmente poucas são as casas de colmo que ainda se mantêm de pé, intactas ou recuperadas. Estima-se que o seu número ande entre as três e as quatro dezenas. A escassez de trigo (colmo) e de mão de obra especializada, assim como o surgimento de novas soluções de habitação mais confortáveis tem levado à redução do número de casas de colmo. Mas, apesar da mudança de hábito, a verdade é que algumas pessoas teimam em manter as suas casas de colmo em bom estado de conservação.

Para isso muito tem contribuído a persistência e dedicação de António Caires, de 47 anos, e o único proprietário de uma empresa que se dedica a este tipo de actividade. O seu percurso começou há muitos anos atrás. "Comecei nisto há mais de 20 anos, tinha 18 ou 19 anos, numa casa que minha avó tinha. A minha avó era velhinha e pediu-me para arranjar pessoal e fazer o trabalho. Peguei no meu carrinho, fui buscar o colmo, arranjei o pessoal e abafámos. A partir daí comecei nisto".

O trabalho feito por António Caires, embora sendo o primeiro, ficou bom, não passou despercebido e logo começaram a surgir pedidos de arranjo e construção de novas casas.

Desde então construiu e restaurou dezenas, senão centenas, de casas de colmo. Mas, hoje, os tempos são outros. "Antigamente os palheiros de zinco que se vê por aí eram todos de colmo, mas as pessoas começaram a cultivar menos trigo e a optar pelo zinco, que tem mais duração. O colmo só dura cinco ou seis anos", explica António Caires.

Trabalho "duro" e maçador
Hoje continuam a surgir trabalhos, mas o seu número tem diminuído, tal como o das casas. "Penso que reduziu um terço o número de casas de colmo". A pesar desta redução, António Caires insiste em manter viva esta tradição e criou há cerca de 10 anos uma empresa especializada neste tipo de trabalhos.

A construção de uma casa de colmo ou o seu 'abafamento' (substituir o colmo velho) é um trabalho "duro" e, até certo ponto, maçador. "A casa só leva colmo, varas e vimes. Quando não há vimes nós metemos arame", explica António Caires, acrescentando que a cobertura de uma casa média demora "um dia com oito a dez homens, mas temos de começar de manhã e acabar à noite".

O custo de um trabalho destes varia conforme o tamanho da casa, mas ronda os 2.000 e 2.500 euros para uma casa média.
Um dos receios deste fã e 'amante' das casas de colmo é que este tipo de habitações tenha os dias contados. As pessoas com experiência neste tipo de trabalho "já são de meia idade. Como isto vai, penso que sim. Antes, o Governo ainda dava um subsídio aos donos das casas, mas parece que não estão a receber."

Trabalhos em hotéis
Mas, nem tudo são más notícias para esta arte secular. A fama e qualidade do trabalho de António Caires já ultrapassou as 'fronteiras' de Santana, onde reside e trabalha. Nos últimos anos tem sido, por várias vezes, requisitado por hotéis e até por estabelecimentos de restauração para fazer trabalhos em colmo.

Os guarda-sóis de muitos hotéis feitos em colmo e a casa existente num conhecido restaurante de Câmara de Lobos são alguns dos trabalhos executados.
No ano passado António Caires diz que cobriu cinco casas de colmo, um número aceitável. "Mas também tenho sido chamado para os lados do Funchal, para arranjar aqueles chapéus dos hotéis. E, há poucos dias, construí e 'abafei' uma casa no 'Lagar', em Câmara de Lobos."

Apesar destes trabalhos fora de Santana, a verdade é que o número de casas de colmo tem vindo a diminuir de ano para ano. António Caires acredita que a tradição deve ser mantida, mas isso não depende apenas dele. Acima de tudo depende dos proprietários das casas existentes e das próprias entidades locais e regionais em manter este 'ex-libris' do concelho de Santana.

Casas de origem primitiva e secular
A origem exacta das casas tradicionais de colmo não é perfeitamente conhecida. Calcula-se que as casas de colmo sejam vestígios das construções primitivas, que eram feitas de madeira e de colmo e que existia de forma abundante por toda a ilha. As casas de colmo têm três tipos de construção: as 'casas de empena de fio', 'casas de empena de meio fio' e 'casas de quatro águas'. As 'casas de fio' têm a empena triangular e são cobertas de restolho desde a cumeeira (topo) até ao solo eram compostas por um sótão para guardar produtos agrícolas e por um piso térreo destinado a habitação. Muito embora tenham servido de tecto a muitas famílias ao longo dos séculos, a verdade é que as casas de palha têm de ter uma manutenção periódica. As casas de colmo têm de ser 'abafadas' de cinco em cinco anos. Para 'abafar' ou 'restolhar' as casas são necessários pelo menos quatro homens com experiência e cerca de 24 a 26 'maranhos' (montes) de palha de trigo, dezenas de varas e arame. DN Madeira

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Santana assinala dez anos de elevação a cidade

Santana, localidade que durante muitos anos foi inacessível por mar e terra, a sede de concelho conservou características singulares, isentas de influências exteriores.

O seu cariz popular acentua-se sobretudo na arquitectura: casas coberta de colmo, de duas águas, sobre estruturas de madeira, conhecidas por palhaças. Considera-se que estas construções sejam vestígios das primitivas estruturas feitas de madeira e de colmo.

Estas casas, hoje em dia, são um autêntico ex-líbris da freguesia e mesmo da Região, muito utilizada na divulgação turística. Estas continuam a ser o principal símbolo de Santana, daí que a autarquia tenha construído mais destas casas típicas nos jardins envolventes ao edifício sede municipal.

Santana possui uma das mais pitorescas e encantadoras paisagens de toda a ilha, disposta na sucessão de montanhas entre a agreste cordilheira central e o mar do norte, estendendo-se num planalto onde se encontram as habitações. O nome da freguesia advém da invocação à sua padroeira Santa Ana. Foi esta freguesia que passou a cidade a 1 de Janeiro de 2001.

Para assinalar a efeméride a autarquia preparou um programa que se inicia nos primeiros segundos do dia 1 com o lançamento de fogo-de-artifício, onde não faltará o espumante e bolo de aniversário. Depois, para descontrair e eliminar alguns excessos, haverá um baile comemorativo. Tudo isto numa tenta montada para o efeito ao lado do edifício dos Paços do Concelho.

Às 17 horas a igreja matriz da cidade acolhe a missa de Acção de Graças. Esta cerimónia será presidida pelo vigário geral da Diocese do Funchal, José Fiel Sousa e co-celebrada pelo pároco de Santana, José Afonso Rodrigues., sendo solenizada pelo grupo coral da Casa do Povo de São Roque do Faial.

Pelas 18:30 horas terá lugar a sessão solene comemorativa no Salão Nobre, cerimónia que será presidida por Miguel Mendonça, presidente da Assembleia Legislativa e presidente da Assembleia Municipal, contando com a presença do secretário regional dos Assuntos Sociais, Francisco Jardim Ramos.

Pelas 19:30 horas terá lugar o concerto comemorativo do aniversário da cidade e de Ano Novo, a cargo da Banda Municipal de Santana no salão paroquial da localidade. (JM)

domingo, 15 de agosto de 2010

Alerta geral mantém-se

Câmara de Lobos estável

Os bombeiros mantêm o alerta geral durante esta noite. Dos municípios mais ameaçados, Funchal, Santa Cruz, Ribeira Brava, Santana e Câmara de Lobos, só neste último é possível abrandar um pouco a acção nos bombeiros. Em todos eles, o maior perigo é o dos reacendimentos.

domingo, 30 de maio de 2010

Floresta Laurissilva está em expansão

"Eu posso dizer que a mancha da Laurissilva da Madeira está hoje, ao cabo de muitos séculos de regressão com o povoamento e com o pastoreio desordenado nas zonas especialmente altas, em expansão". O secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António Correia, considera que a mancha verde da floresta Laurissilva da Madeira está a inverter uma tendência de séculos provocada pela ocupação humana e pelo pastoreio desordenado.

A floresta Laurissilva da Madeira, classificada pela UNESCO em 1999 como Património Natural Mundial, ocupa uma área de 15.000 hectares sobretudo nos territórios dos concelhos nortenhos de São Vicente e de Santana.

A mancha verde das árvores da família das Lauráceas - o Loureiro, o Til, o Vinhático, o Barbusano - de São Vicente é uma das duas candidaturas madeirenses (a outra é a praia da ilha do Porto Santo) às '7 Maravilhas de Portugal', promovida pela 'New 7 Wonders Portugal' e que em Setembro serão anunciadas.

Manuel António Correia explica que "a Madeira, antes da autonomia porque não tinha condições económicas e sociais para isso, não valorizava o ambiente e eu considero que, aquilo que se passa hoje na valorização e aposta no ambiente, é também fruto do desenvolvimento económico e social que a Madeira alcançou que, por via disso, consegue apostar em novos valores, apostar em novas fórmulas de desenvolvimento sustentável".

Por isso, destaca que "a Laurissilva sempre esteve aqui mas nem sempre foi olhada com estes olhos e nem sempre foi valorizada e gerida como hoje é".

"Com a conclusão do processo de erradicação do pastoreio desordenado que acabou em 2003, mais o trabalho de reflorestação que se está a fazer, mais a regeneração natural que isso proporcionou, há hoje hectares e hectares que antes não eram zonas florestadas, eram zonas florestais mas não zonas florestadas de facto, que estão a ser florestadas e, dessa maneira, estão invertendo a tendência de séculos" "Temos hoje uma Laurissilva maior do que tínhamos há uns anos atrás e nos próximos anos ela continuará a crescer", garante o secretário regional.

A floresta Laurissilva da Madeira, húmida subtropical, foi em 1992 incorporada na rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa, constitui Zona de Protecção Especial no âmbito da Directiva Aves e em 1999 foi classificada Património Natural Mundial pela UNESCO.

É considerada a mais preservada Laurissiva da Macaronésia (existe ainda nos Açores, Canárias, Cabo Verde e Mauritânia. (DN-Madeira)