As Selvagens e a ZEE…
As Ilhas Selvagens, pela sua localização, assumem particular importância no contexto político português, tendo já sido visitada por anteriores Presidentes da República.
Este conjunto de ilhas tem um valor indiscutível relativamente à Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa.
A ZEE é uma faixa que se inicia a partir da linha base de costa com 370400 km (200 milhas marítimas). Em termos práticos, nesta faixa é permitido prospectar, explorar, conservar e gerir todos os recursos naturais vivos e não vivos, do fundo do mar, do seu subsolo, e das águas sobrejacentes.
São ainda permitidas todas as outras actividades que tenham por fim o estudo e a exploração económica da zona, tais como a produção de energia a partir da água das correntes e do vento, tanto na plataforma continental como na ZEE.
Portugal e a ZEE…
Desta forma, Portugal (com todos os seus arquipélagos) fica num lugar de destaque e de responsabilidade no “domínio” do Atlântico Nordeste. Portugal detém a mais extensa ZEE da União Europeia, ou seja, cerca de 1,6 milhões de km2, qualquer coisa como 18 vezes a área continental.
Soberania portuguesa…
Assinalar a soberania portuguesa nas Ilhas Selvagens é garantir a tutela sobre esta ZEE e pelas respectivas águas territoriais. O arquipélago é pequeno, mas permite um aumento significativo da ZEE portuguesa e, assim, acréscimo das possibilidades de exploração de recursos.
A soberania sobre as Ilhas Selvagens é uma também uma forma de salvaguardar os interesses de Portugal. A questão deste grupo insular e da sua soberania ganham destaque quando são conhecidas as pretensões espanholas e todo o tipo de estratagemas para reverter uma parte substancial da ZEE portuguesa para parte espanhola.
Espanha…
Dado que não é já possível reclamar soberania espanhola, a Espanha procurou alterar o estatuto das Selvagens para rochedos, em vez de ilhas.
Os rochedos não têm ZEE pelo que a mediana da ZEE passaria a ser traçada entre as Canárias e a Madeira, ficando as Selvagens completamente dentro da ZEE espanhola (apenas as águas territoriais em torno de cada rochedo seriam portuguesas).
A afirmação portuguesa…
Em 1996, foi feita uma declaração em que se aludiu às ilhas Selvagens como rochedos, devido a uma forte pressão espanhola mas o Ministério da Defesa logo inverteu esta situação e evitou que a ratificação da Convenção sobre os direitos do mar mergulhasse as ilhas na posse espanhola.
Neste aspecto, a Constituição portuguesa e o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira, são bastante conclusivos.
A verdade é que as ilhas Selvagens são um importante, e raro local de riqueza biológica, tal como um ponto estratégico de enorme valor! (J.M)
Mostrar mensagens com a etiqueta Ilhas Selvagens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ilhas Selvagens. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 18 de julho de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Parque Natural assinala 40.º aniversário da Reserva das Ilhas Selvagens
O Serviço do Parque Natural da Madeira apresenta, na próxima segunda-feira, o programa de comemoração do 40.º aniversário da Reserva Natural das Ilhas Selvagens, a primeira de Portugal.
Um dos eventos mais marcantes do programa será o 'Open Ocean Crowssing JR40 Selvagens', que envolve o velejador João Rodrigues, padrinho da Reserva Natural durante 2011.
A apresentação do programa está previsto para 11 de Abril, às 17 horas, na Estalagem Quinta da Casa Branca.(D.Noticias)
Um dos eventos mais marcantes do programa será o 'Open Ocean Crowssing JR40 Selvagens', que envolve o velejador João Rodrigues, padrinho da Reserva Natural durante 2011.
A apresentação do programa está previsto para 11 de Abril, às 17 horas, na Estalagem Quinta da Casa Branca.(D.Noticias)
terça-feira, 8 de março de 2011
Evento promove Selvagens
Este mês, assinalam-se os 21 anos da aprovação do Decreto Legislativo Regional que criou a Área de Protecção Especial das Ilhas Desertas sendo que, em 1995, passou a Reserva Natural, através de um outro Decreto Legislativo. A exemplo de anos anteriores, e por inerência daquelas que são as suas competências, nomeadamente, ao nível da educação ambiental e divulgação, o Parque Natural da Madeira voltará a desenvolver uma panóplia de acções de divulgação relativamente à Reserva.
Contudo, este ano, todas as energias estão canalizadas para uma outra data especial, mas desta feita, em relação às Selvagens. Recorde-se que estas ilhas encontram-se legalmente protegidas desde 1971, como Reserva, tendo sido a primeira de Portugal. Em 1978 foram classificadas como Reserva Natural. Desde 1992, são distinguidas com o Diploma Europeu do Conselho da Europa para Áreas Protegidas (reserva biogenética), como reconhecimento do grande interesse do seu Património Natural, bem como do trabalho desenvolvido em prol da Conservação. Integram a Rede Natura 2000, como Zona de Protecção Especial (ZPE) e Zona Especial de Conservação (ZEC).
A data é assinalada no final deste ano, mas já este mês serão apresentados um conjunto de acções que visam assinalar a data. O ponto alto será já em Abril. E de acordo com o director do Parque Natural, será «muito alto mesmo», sublinhando Paulo Oliveira que será «uma coisa inédita a nível nacional e eventualmente internacional». Um evento, prossegue, «que pretende divulgar as Selvagens muito longe», embora prefira não levantar mais o véu sobre o assunto.
A Reserva Natural das Ilhas Selvagens tem uma área total de 9455 hectares, é delimitada pela batimétrica dos 200 metros e inclui todas as ilhas e ilhéus. Através do estatuto de protecção total são resguardados os ecossistemas de toda a área terrestre (Selvagem Grande, Selvagem Pequena, Ilhéu de Fora e ilhéus adjacentes) e de toda a área marinha adjacente.
“Desertinha” está de regresso à Região
O corpo da “Desertinha”, a emblemática fêmea que ao longo de mais de 20 anos foi uma das principais reprodutoras da reserva de lobos marinhos e que morreu no início do mês de Dezembro de 2008, devido a problemas de saúde, deverá estar de regresso à Região nos próximos dias, já devidamente embalsamado e pronto a ser colocado num «local de grande visitação», segundo confidenciou ao JM o secretário do Ambiente e Recursos Naturais.
«Já foi embalsamada e está de regresso à Região para ser exposta num local de grande visitação. Vamos pôr na Madeira um dos exemplares como forma de também divulgar e valorizar o trabalho que é feito nas Desertas», disse, acrescentando que «a principal hipótese» em termos de exposição passa pelo Museu da Baleia, no Caniçal.
Quanto às Desertas, em declarações ao JM, Manuel António diz que o decreto regional que instituiu a Reserva traduziu uma opção de «fazer uma boa gestão» do espaço, a exemplo de outros. «Basta pensar que dois terços da Região estão protegidos juridicamente», lembrou.
No caso concreto das Desertas, recordou que ali se desenrola um conjunto de actividades com vista a defender e valorizar o património natural “in situ”, tendo destacado o projecto dos lobos marinhos, que é hoje estudado à escala internacional e alvo de colaboração com entidades internacionais. As ilhas são hoje alvo de muita visitação, quer turística quer científica, aproveitando também o melhoramento das instalações que foi feito há poucos anos. «O que se passa lá é um bom paradigma que queremos estender cada vez mais a outros espaços da Madeira». A ideia, diz, passa por criar um «ciclo vicioso positivo», em que «mais ambiente cria maior estímulo à economia, particularmente, através do turismo, e porque se criou emprego e valor acrescentado, também as pessoas sentem-se estimuladas a apostar cada vez mais no ambiente. No fundo, estamos a tratar de desenvolvimento sustentável no arquipélago da Madeira», concluiu. (J.M)
Contudo, este ano, todas as energias estão canalizadas para uma outra data especial, mas desta feita, em relação às Selvagens. Recorde-se que estas ilhas encontram-se legalmente protegidas desde 1971, como Reserva, tendo sido a primeira de Portugal. Em 1978 foram classificadas como Reserva Natural. Desde 1992, são distinguidas com o Diploma Europeu do Conselho da Europa para Áreas Protegidas (reserva biogenética), como reconhecimento do grande interesse do seu Património Natural, bem como do trabalho desenvolvido em prol da Conservação. Integram a Rede Natura 2000, como Zona de Protecção Especial (ZPE) e Zona Especial de Conservação (ZEC).
A data é assinalada no final deste ano, mas já este mês serão apresentados um conjunto de acções que visam assinalar a data. O ponto alto será já em Abril. E de acordo com o director do Parque Natural, será «muito alto mesmo», sublinhando Paulo Oliveira que será «uma coisa inédita a nível nacional e eventualmente internacional». Um evento, prossegue, «que pretende divulgar as Selvagens muito longe», embora prefira não levantar mais o véu sobre o assunto.
A Reserva Natural das Ilhas Selvagens tem uma área total de 9455 hectares, é delimitada pela batimétrica dos 200 metros e inclui todas as ilhas e ilhéus. Através do estatuto de protecção total são resguardados os ecossistemas de toda a área terrestre (Selvagem Grande, Selvagem Pequena, Ilhéu de Fora e ilhéus adjacentes) e de toda a área marinha adjacente.
“Desertinha” está de regresso à Região
O corpo da “Desertinha”, a emblemática fêmea que ao longo de mais de 20 anos foi uma das principais reprodutoras da reserva de lobos marinhos e que morreu no início do mês de Dezembro de 2008, devido a problemas de saúde, deverá estar de regresso à Região nos próximos dias, já devidamente embalsamado e pronto a ser colocado num «local de grande visitação», segundo confidenciou ao JM o secretário do Ambiente e Recursos Naturais.
«Já foi embalsamada e está de regresso à Região para ser exposta num local de grande visitação. Vamos pôr na Madeira um dos exemplares como forma de também divulgar e valorizar o trabalho que é feito nas Desertas», disse, acrescentando que «a principal hipótese» em termos de exposição passa pelo Museu da Baleia, no Caniçal.
Quanto às Desertas, em declarações ao JM, Manuel António diz que o decreto regional que instituiu a Reserva traduziu uma opção de «fazer uma boa gestão» do espaço, a exemplo de outros. «Basta pensar que dois terços da Região estão protegidos juridicamente», lembrou.
No caso concreto das Desertas, recordou que ali se desenrola um conjunto de actividades com vista a defender e valorizar o património natural “in situ”, tendo destacado o projecto dos lobos marinhos, que é hoje estudado à escala internacional e alvo de colaboração com entidades internacionais. As ilhas são hoje alvo de muita visitação, quer turística quer científica, aproveitando também o melhoramento das instalações que foi feito há poucos anos. «O que se passa lá é um bom paradigma que queremos estender cada vez mais a outros espaços da Madeira». A ideia, diz, passa por criar um «ciclo vicioso positivo», em que «mais ambiente cria maior estímulo à economia, particularmente, através do turismo, e porque se criou emprego e valor acrescentado, também as pessoas sentem-se estimuladas a apostar cada vez mais no ambiente. No fundo, estamos a tratar de desenvolvimento sustentável no arquipélago da Madeira», concluiu. (J.M)
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Cientistas procuram "alargar" mar português descobrindo novas espécies nas ilhas Selvagens
No sítio mais ao Sul de Portugal, as ilhas Selvagens, cientistas portugueses e estrangeiros, apoiados pela Marinha, procuram descobrir os segredos da fauna, flora e geologia marítimas, num esforço para conseguir aumentar o mar português.
A expedição da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) está junto à reserva natural das Ilhas Selvagens, na Região Autónoma da Madeira, desde 10 de Junho e já recolheu cerca de 500 espécies, algumas das quais nunca antes descobertas.
O objetivo é dar a Portugal argumentos para conseguir a extensão da sua plataforma continental para além das 200 milhas náuticas e para candidatar as Selvagens a património natural da Humanidade.
Em visita à expedição, o secretário de Estado da Defesa Nacional e Assuntos do Mar, Marcos Perestrello, afirmou aos jornalistas que se trata de um “projeto importante” para “aprofundar o conhecimento que temos dos nossos recursos marinhos e demonstrar a capacidade de nos responsabilizarmos pela gestão de uma plataforma continental estendida”.
“É este conhecimento que nos permitirá saber o tipo de aproveitamento que podemos tirar da tecnologia, as potencialidades na produção de cosméticos ou produtos médicos e farmacêuticos, que nos permite saber que tipo de energias podemos retirar dos nossos mares, eólicas, ondas, e eventualmente energias convencionais que existam na área sob nossa jurisdição”.
Composta por uma equipa de cerca de 200 pessoas, a expedição está fundeada junto à ilha Selvagem Grande e distribui-se pelo navio de treino de mar Creoula, o navio hidrográfico Gago Coutinho, o balizador Schultz Xavier e a caravela Vera Cruz.
A bordo do Creoula, os biólogos analisam as amostras de animais, plantas e água recolhidas em seis rondas de mergulho diárias.
Vividos com entusiasmo pelos cientistas, os mergulhos colocam-nos frente a frente com esponjas, jardins de coral, peixes de águas frias e de águas quentes e, num dos momentos mais emocionantes desde que a expedição chegou às selvagens, até um tubarão martelo.
Cerca de cinquenta espécies foram já identificadas, de um total de 500 amostras, duzentas das quais através do robô subaquático do Gago Coutinho, que apesar de uma avaria, já mostrou assim o seu valor.
O aparelho, que fornece imagens em alta definição do fundo do mar e permite a recolha de amostras a centenas de metros de profundidade, teve uma avaria num cabo de fibra ótica que o liga ao navio e acabou por ficar parado no fundo do mar.
A solução, que já vem a caminho desde a Noruega, é um aparelho semelhante que permita resgatar o “Luso” e permitir voltar ao trabalho.
Para além da extensão da plataforma continental, o levantamento das espécies nas águas das Selvagens visa sustentar a candidatura da área a património natural da Humanidade.
O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, afirmou que a reserva natural das ilhas, criada em 1971, dá exemplos de “um trabalho muito notável a nível nacional e mesmo mundial” na preservação da biodiversidade, como mostra a campanha bem sucedida de erradicação de pragas de ratos e coelhos.
Até ao fim do mês, a equipa vai continuar a passar os dias nas águas límpidas do Atlântico, partilhando o dia a dia com as criaturas do fundo do mar e as cagarras, as aves marinhas que povoam a Selvagem Grande.(I)
A expedição da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) está junto à reserva natural das Ilhas Selvagens, na Região Autónoma da Madeira, desde 10 de Junho e já recolheu cerca de 500 espécies, algumas das quais nunca antes descobertas.
O objetivo é dar a Portugal argumentos para conseguir a extensão da sua plataforma continental para além das 200 milhas náuticas e para candidatar as Selvagens a património natural da Humanidade.
Em visita à expedição, o secretário de Estado da Defesa Nacional e Assuntos do Mar, Marcos Perestrello, afirmou aos jornalistas que se trata de um “projeto importante” para “aprofundar o conhecimento que temos dos nossos recursos marinhos e demonstrar a capacidade de nos responsabilizarmos pela gestão de uma plataforma continental estendida”.
“É este conhecimento que nos permitirá saber o tipo de aproveitamento que podemos tirar da tecnologia, as potencialidades na produção de cosméticos ou produtos médicos e farmacêuticos, que nos permite saber que tipo de energias podemos retirar dos nossos mares, eólicas, ondas, e eventualmente energias convencionais que existam na área sob nossa jurisdição”.
Composta por uma equipa de cerca de 200 pessoas, a expedição está fundeada junto à ilha Selvagem Grande e distribui-se pelo navio de treino de mar Creoula, o navio hidrográfico Gago Coutinho, o balizador Schultz Xavier e a caravela Vera Cruz.
A bordo do Creoula, os biólogos analisam as amostras de animais, plantas e água recolhidas em seis rondas de mergulho diárias.
Vividos com entusiasmo pelos cientistas, os mergulhos colocam-nos frente a frente com esponjas, jardins de coral, peixes de águas frias e de águas quentes e, num dos momentos mais emocionantes desde que a expedição chegou às selvagens, até um tubarão martelo.
Cerca de cinquenta espécies foram já identificadas, de um total de 500 amostras, duzentas das quais através do robô subaquático do Gago Coutinho, que apesar de uma avaria, já mostrou assim o seu valor.
O aparelho, que fornece imagens em alta definição do fundo do mar e permite a recolha de amostras a centenas de metros de profundidade, teve uma avaria num cabo de fibra ótica que o liga ao navio e acabou por ficar parado no fundo do mar.
A solução, que já vem a caminho desde a Noruega, é um aparelho semelhante que permita resgatar o “Luso” e permitir voltar ao trabalho.
Para além da extensão da plataforma continental, o levantamento das espécies nas águas das Selvagens visa sustentar a candidatura da área a património natural da Humanidade.
O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, afirmou que a reserva natural das ilhas, criada em 1971, dá exemplos de “um trabalho muito notável a nível nacional e mesmo mundial” na preservação da biodiversidade, como mostra a campanha bem sucedida de erradicação de pragas de ratos e coelhos.
Até ao fim do mês, a equipa vai continuar a passar os dias nas águas límpidas do Atlântico, partilhando o dia a dia com as criaturas do fundo do mar e as cagarras, as aves marinhas que povoam a Selvagem Grande.(I)
domingo, 20 de junho de 2010
Sozinhos na ilha Selvagem Pequena

Estão sempre dois. Dois vigilantes numa ilha do tamanho de 20 campos de futebol. A Selvagem Pequena só é habitada no Verão. No Inverno não se consegue desembarcar numa das duas ilhas oceânicas mais a Sul de Portugal.
Sandro Correia e Ricardo Cabral são vigilantes do Parque Natural da Madeira. Fizeram o curso juntos. Nove anos depois voltam a encontrar-se no trabalho e isso deixa-os muito satisfeitos.
Sandro Correia tem 32 anos. Há quem lhe chame o Chuck Norris das Selvagens. Os olhos azuis escondem um homem reservado, de poucas falas, mas pronto a disparar sorrisos com a suavidade que o isolamento desejado adocica. Sandro gosta de estar três semanas sem telemóvel, sem internet, sem jornais, fechado na ilha. A televisão liga-os ao mundo. O botão "on/off" do aparelho tem aqui uma importância diferente. Tudo é diferente aqui.
As comunicações fazem-se via rádio com a Selvagem Grande. Caso falhe e os vigilantes estejam com problemas, o farol do Pico do Veado é tapado (trata-se do ponto mais alto da ilha, com 49 metros de altitude). Será a última tentativa de enviar um SOS.
Água canalizada potável não há. Casa de banho também não. A electricidade é produzida por painéis solares. O lixo é levado pelo barco patrulha. E até a barba é feita num espelho redondo e partido colocado numa das paredes de madeira da única infra-estrutura que existe na Selvagem Pequena: a casa dos vigilantes.
É impossível não querer espreitar. Duas camas individuais encostadas à parede. Uma cozinha pequena. Um balcão. Algumas prateleiras. Loiças e tachos à vista. Um frigorífico (sempre abastecido de minis). Um leitor de CD. Uma televisão. E está feita a descrição. O resto são sensações. Acolhedor de dia. Lúgubre à noite. Um magnífico pôr-do-Sol. Uma escuridão temerosa. E aquela constante brisa do mar.
Para completar o cenário faltam as piadas de Ricardo Cabral. Ora são anedotas, ora trocadilhos inventados no momento. Uns atrás dos outros. Ricardo acorda e, enquanto arruma o sono e prepara o pequeno almoço já está disperto para fazer rir. Sandro acompanha soltando sorrisos.
Quando têm visitas (o que só pode acontecer com autorização do Parque Natural da Madeira) trajam como manda a entidade patronal. Sempre que a única presença humana são eles vestem-se como a natureza determina. Quentes no frio. Frescos quando os abrasadores ventos de África trazem as areias do Deserto do Sahara.
As duas ilhas pertencem à “Rede Natura 2000”, ou seja, são zonas onde se está obrigado a conservar os habitat e as espécies selvagens. As Selvagens são um paraíso de nidificação para as aves marinhas. A Pequena está, por agora, cheia de ninhos dos Calcamares.
É uma ave que voa calcando o mar. Endémica da Macaronésia, o Calcamar nidifica em solos arenosos onde escava profundos ninhos. O chão da Pequena foi tomado pelos Calcamares. Sair dos poucos trilhos que existem é, muito provavelmente, esmagar alguns ovos com os pés. Tal como as outras aves marinhas, o Calcamar coloca um único ovo e o juvenil só se reproduz pela primeira vez vários anos depois.
As aves não estão sozinhas. O homem está. Na Selvagem Pequena ainda mais que na Grande. Mas da Grande prometo contar-vos tudo em breve.(Sic)
Sandro Correia e Ricardo Cabral são vigilantes do Parque Natural da Madeira. Fizeram o curso juntos. Nove anos depois voltam a encontrar-se no trabalho e isso deixa-os muito satisfeitos.
Sandro Correia tem 32 anos. Há quem lhe chame o Chuck Norris das Selvagens. Os olhos azuis escondem um homem reservado, de poucas falas, mas pronto a disparar sorrisos com a suavidade que o isolamento desejado adocica. Sandro gosta de estar três semanas sem telemóvel, sem internet, sem jornais, fechado na ilha. A televisão liga-os ao mundo. O botão "on/off" do aparelho tem aqui uma importância diferente. Tudo é diferente aqui.
As comunicações fazem-se via rádio com a Selvagem Grande. Caso falhe e os vigilantes estejam com problemas, o farol do Pico do Veado é tapado (trata-se do ponto mais alto da ilha, com 49 metros de altitude). Será a última tentativa de enviar um SOS.
Água canalizada potável não há. Casa de banho também não. A electricidade é produzida por painéis solares. O lixo é levado pelo barco patrulha. E até a barba é feita num espelho redondo e partido colocado numa das paredes de madeira da única infra-estrutura que existe na Selvagem Pequena: a casa dos vigilantes.
É impossível não querer espreitar. Duas camas individuais encostadas à parede. Uma cozinha pequena. Um balcão. Algumas prateleiras. Loiças e tachos à vista. Um frigorífico (sempre abastecido de minis). Um leitor de CD. Uma televisão. E está feita a descrição. O resto são sensações. Acolhedor de dia. Lúgubre à noite. Um magnífico pôr-do-Sol. Uma escuridão temerosa. E aquela constante brisa do mar.
Para completar o cenário faltam as piadas de Ricardo Cabral. Ora são anedotas, ora trocadilhos inventados no momento. Uns atrás dos outros. Ricardo acorda e, enquanto arruma o sono e prepara o pequeno almoço já está disperto para fazer rir. Sandro acompanha soltando sorrisos.
Quando têm visitas (o que só pode acontecer com autorização do Parque Natural da Madeira) trajam como manda a entidade patronal. Sempre que a única presença humana são eles vestem-se como a natureza determina. Quentes no frio. Frescos quando os abrasadores ventos de África trazem as areias do Deserto do Sahara.
As duas ilhas pertencem à “Rede Natura 2000”, ou seja, são zonas onde se está obrigado a conservar os habitat e as espécies selvagens. As Selvagens são um paraíso de nidificação para as aves marinhas. A Pequena está, por agora, cheia de ninhos dos Calcamares.
É uma ave que voa calcando o mar. Endémica da Macaronésia, o Calcamar nidifica em solos arenosos onde escava profundos ninhos. O chão da Pequena foi tomado pelos Calcamares. Sair dos poucos trilhos que existem é, muito provavelmente, esmagar alguns ovos com os pés. Tal como as outras aves marinhas, o Calcamar coloca um único ovo e o juvenil só se reproduz pela primeira vez vários anos depois.
As aves não estão sozinhas. O homem está. Na Selvagem Pequena ainda mais que na Grande. Mas da Grande prometo contar-vos tudo em breve.(Sic)
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Missão nas Ilhas Selvagens "Que dia é hoje?"
No mar, a palavra rotina ganha outra força. Os dias entram uns nos outros sem pedir licença, embora, numa embarcação militar, a obediência às regras seja obrigatória e necessária.
A estrutura militar pode ser vista pelos civis como pesada, mas fora de terra, num navio grande e ao mesmo tempo pequeno, saber quem manda e agir de acordo com o esperado é essencial para cumprir a faina com sucesso. Cria uma sensação de segurança, ainda mais importante quando quase só se pode contar com as pessoas que estão a bordo e o chão teima em fugir dos pés. Não será por acaso que uma tenente que segue na expedição às Selvagens confessa, sem qualquer embaraço: “hoje não seria capaz de viver sem regras. Ajudam a organizar-me”.
As horas da refeição são para cumprir (e o mar, quando se tem a sorte de não enjoar, abre o apetite). As normas de segurança são para seguir à risca (como por exemplo não fumar em determinadas zonas e/ou momentos). O comandante é para respeitar sempre (não nos devemos, por exemplo, sentar ou levantar da mesa sem primeiro perguntar: “o senhor comandante dá licença?”).
A viagem do porto do Funchal, na Madeira, às Selvagens ultrapassou as 24 horas. O navio “Almirante Gago Coutinho” demorou mais tempo que o Creoula porque foi parando para fazer medições de condutividade, temperatura e densidade da água do mar. Esses dados são recolhidos por uma sonda colocada na água e depois transferidos para um dos vários computadores a bordo. Serve, por exemplo, para perceber se a água do Mediterrâneo chega às Selvagens. E foi por causa de operações como esta que alguns cientistas não dormiram toda a noite e a expedição ainda mal começou.
Quando se avistaram as Selvagens passava pouco das seis da manhã, mas só às nove e vinte é que soou a informação nos altifalantes que tínhamos chegado ao primeiro destino da missão: “vamos dar início à manobra de embarcação”.
Os 14 elementos da equipa técnica (os investigadores) e os 34 marinheiros uniram-se então para começar uma tarefa que acabou por ocupar todo o dia: colocar comida, tendas, caixas com tubos de plástico e até uma casa de banho com papel higiénico num semi rígido e em dois botes para transportar até à Selvagem Pequena.
De forma irregular e com apenas 20 hectares de área, a Selvagem Pequena encanta logo à chegada. Não é qualquer embarcação que consegue aproximar-se da terra, uma vez que o fundo do mar está cheio de rochas vulcânicas que podem danificar os cascos mais baixos das que têm maior calado. Assim como se a ilha estivesse a dizer-nos: “venham, mas portem-se bem se não são castigados”.
Nunca foram introduzidos na ilha animais ou plantas. Existe apenas uma construção feita pelos homens. Uma cabana de madeira onde ficam os dois guias apenas durante o Verão. São substituídos de três em três semanas. Três semanas sem falar ao telefone, ler jornais ou estar com outras pessoas. Há electricidade através de painéis solares. É suficiente para alimentar uma televisão e um frigorífico, onde as minis, que ajudam a passar o tempo, se vão mantendo frescas.
Por estes dias, a quietude da Selvagem Pequena acordará para a ansiedade de 15 cientistas desejosos de descobrir e aprender. As aves marinhas, as osgas, as lagartixas, os escaravelhos e as borboletas vão talvez reparar noutros sons para além da voz do mar e talvez notem diferença na paisagem.
Na terra a que deram o nome de Selvagem Pequena, a rotina será quebrada e os dias ameaçam ser poucos para tudo o que se quer fazer, mesmo que às tantas todos perguntem: “que dia é hoje?”(Sic)
A estrutura militar pode ser vista pelos civis como pesada, mas fora de terra, num navio grande e ao mesmo tempo pequeno, saber quem manda e agir de acordo com o esperado é essencial para cumprir a faina com sucesso. Cria uma sensação de segurança, ainda mais importante quando quase só se pode contar com as pessoas que estão a bordo e o chão teima em fugir dos pés. Não será por acaso que uma tenente que segue na expedição às Selvagens confessa, sem qualquer embaraço: “hoje não seria capaz de viver sem regras. Ajudam a organizar-me”.
As horas da refeição são para cumprir (e o mar, quando se tem a sorte de não enjoar, abre o apetite). As normas de segurança são para seguir à risca (como por exemplo não fumar em determinadas zonas e/ou momentos). O comandante é para respeitar sempre (não nos devemos, por exemplo, sentar ou levantar da mesa sem primeiro perguntar: “o senhor comandante dá licença?”).
A viagem do porto do Funchal, na Madeira, às Selvagens ultrapassou as 24 horas. O navio “Almirante Gago Coutinho” demorou mais tempo que o Creoula porque foi parando para fazer medições de condutividade, temperatura e densidade da água do mar. Esses dados são recolhidos por uma sonda colocada na água e depois transferidos para um dos vários computadores a bordo. Serve, por exemplo, para perceber se a água do Mediterrâneo chega às Selvagens. E foi por causa de operações como esta que alguns cientistas não dormiram toda a noite e a expedição ainda mal começou.
Quando se avistaram as Selvagens passava pouco das seis da manhã, mas só às nove e vinte é que soou a informação nos altifalantes que tínhamos chegado ao primeiro destino da missão: “vamos dar início à manobra de embarcação”.
Os 14 elementos da equipa técnica (os investigadores) e os 34 marinheiros uniram-se então para começar uma tarefa que acabou por ocupar todo o dia: colocar comida, tendas, caixas com tubos de plástico e até uma casa de banho com papel higiénico num semi rígido e em dois botes para transportar até à Selvagem Pequena.
De forma irregular e com apenas 20 hectares de área, a Selvagem Pequena encanta logo à chegada. Não é qualquer embarcação que consegue aproximar-se da terra, uma vez que o fundo do mar está cheio de rochas vulcânicas que podem danificar os cascos mais baixos das que têm maior calado. Assim como se a ilha estivesse a dizer-nos: “venham, mas portem-se bem se não são castigados”.
Nunca foram introduzidos na ilha animais ou plantas. Existe apenas uma construção feita pelos homens. Uma cabana de madeira onde ficam os dois guias apenas durante o Verão. São substituídos de três em três semanas. Três semanas sem falar ao telefone, ler jornais ou estar com outras pessoas. Há electricidade através de painéis solares. É suficiente para alimentar uma televisão e um frigorífico, onde as minis, que ajudam a passar o tempo, se vão mantendo frescas.
Por estes dias, a quietude da Selvagem Pequena acordará para a ansiedade de 15 cientistas desejosos de descobrir e aprender. As aves marinhas, as osgas, as lagartixas, os escaravelhos e as borboletas vão talvez reparar noutros sons para além da voz do mar e talvez notem diferença na paisagem.
Na terra a que deram o nome de Selvagem Pequena, a rotina será quebrada e os dias ameaçam ser poucos para tudo o que se quer fazer, mesmo que às tantas todos perguntem: “que dia é hoje?”(Sic)
terça-feira, 8 de junho de 2010
Estudo reforça candidatura das Ilhas Selvagens
Entre 9 e 30 de Junho de 2010 mais de 50 cientistas e três navios vão estar envolvidos no estudo da flora e fauna marinhas das Ilhas Selvagens, desde a zona entre marés até mais de 2500 metros de profundidade. Elementos do Departamento de Ciência da Câmara Municipal do Funchal vão participar na missão científica que a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) vai levar a cabo, com recurso aos navios, N.R.P. Almirante Gago Coutinho, N.R.P. Creoula e caravela “Vera Cruz” e com o ROV “Luso”, tendo como principal objectivo cartografar e inventariar a biodiversidade marinha daquelas ilhas, desde o litoral até às profundidades abissais, no ano em que se assinala o Ano Internacional da Biodiversidade.
Nesta missão participarão cerca de 70 investigadores e estudantes ligados às principais Universidades e Institutos de Investigação Portugueses. A Madeira estará representada por elementos do Museu Municipal do Funchal (História Natural), Estação de Biologia Marinha do Funchal, Parque Natural da Madeira, Direcção de Serviços de Investigação das Pescas, Universidade da Madeira e Museu da Baleia, num total de 10 pessoas. Os espécimes colhidos ficarão depositados no Museu Municipal do Funchal (História Natural) e no Museu Nacional de História Natural. Todos os dados recolhidos serão arquivados na base de dados M@rBis, cuja gestão está cometida à EMEPC e que visa congregar todos os dados possíveis relativos às áreas marinhas da Rede Natura 2000 em Portugal, compromisso que o País assumiu perante a Comissão Europeia. Esta missão, que conta com o apoio e o patrocínio do Governo Regional da Madeira, através da Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, é a maior e mais interdisciplinar expedição científica que alguma vez se realizou às Ilhas Selvagens. Os dados recolhidos permitirão ainda reforçar uma eventual candidatura das Ilhas Selvagens a Património Mundial da Humanidade.(J.M)
Nesta missão participarão cerca de 70 investigadores e estudantes ligados às principais Universidades e Institutos de Investigação Portugueses. A Madeira estará representada por elementos do Museu Municipal do Funchal (História Natural), Estação de Biologia Marinha do Funchal, Parque Natural da Madeira, Direcção de Serviços de Investigação das Pescas, Universidade da Madeira e Museu da Baleia, num total de 10 pessoas. Os espécimes colhidos ficarão depositados no Museu Municipal do Funchal (História Natural) e no Museu Nacional de História Natural. Todos os dados recolhidos serão arquivados na base de dados M@rBis, cuja gestão está cometida à EMEPC e que visa congregar todos os dados possíveis relativos às áreas marinhas da Rede Natura 2000 em Portugal, compromisso que o País assumiu perante a Comissão Europeia. Esta missão, que conta com o apoio e o patrocínio do Governo Regional da Madeira, através da Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, é a maior e mais interdisciplinar expedição científica que alguma vez se realizou às Ilhas Selvagens. Os dados recolhidos permitirão ainda reforçar uma eventual candidatura das Ilhas Selvagens a Património Mundial da Humanidade.(J.M)
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Maior expedição portuguesa de sempre chega às Selvagens em Junho
São mais de 70 os cientistas que se preparam para embarcar na maior expedição alguma vez realizada em Portugal. A missão, que começa no dia 8 e termina em 30 de Junho, tem como alvo as Ilhas Selvagens, ao largo da Madeira e está a cargo da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) e do programa M@RBIS (Sistema de Informação para a Biodiversidade Marinha).
O grupo About Media vai acompanhar esta aventura com apontamentos de reportagem diária para os portais PlanetAzul e AmbienteOnline, sendo que o jornal Água&Ambiente terá um espaço dedicado à grande reportagem da expedição, na sua edição de Agosto.
Segundo Manuel Pinto de Abreu, chefe de Missão da EMEPC, o primeiro objectivo da expedição é a extensão da plataforma continental, numa altura em que Portugal aguarda a resposta da Organização das Nações Unidas às pretensões portuguesas de aumentar a plataforma continental para mais de dois milhões de km2, decisão que se esperaque seja tomada em 2013 ou 2014.
Neste âmbito, o responsável sulinha que há dois aspectos a ter em conta: é fundamental a parte da redefinição da linha de costa e a recolha de amostras geológicas para estudar a unidade global do território imerso. «Temos também a parte do M@RBIS, na qual vamos fazer um teste ao sistema de informação em si mesmo e, ao mesmo tempo, criar metodologia de recolha de informação», acrescenta.
Selvagens têm mais de 500 anos
Descobertas em 1483 por Diogo Gomes, as Selvagens mantiveram-se na posse de famílias portuguesas desde o século XVI até serem adquiridas pelo Estado no século XX, sendo classificadas como Reserva Natural da Ilhas Selvagens.
Os tempos de crise não impediram a realização da expedição, mas, ainda assim, está a ser preparada com os recursos mínimos necessários para viabilizar uma missão deste género. Com efeito, a maior parte do equipamento já pertencia à Estrutura de Missão e os cientistas e entidades que irão participar foram convidados a trazer o seu equipamento. No fundo, foi apenas necessário comprar apenas as ligações aos equipamentos e os patrocínios equilibraram os custos operacionais de toda a expedição.
Para além dos cientistas, uma equipa da universidade do Porto estará a bordo a preparar documentários que irão servir, por um lado, para produzir documentários de divulgação e, por outro, para ajudar a constituir uma plataforma para estudo, que permite a edição e anotação de imagens.
Professores e alunos também aceitaram o convite e não são mais porque nem a logística nem a época de exames o permite. «Todos os núcleos de investigação querem ir ao mar, não há tantas oportunidades como isso, já que é um conjunto de trabalhos muito grande e é um período de tempo relativamente longo. Isto mostra a aceitação que a EMEPC tem ao nível da comunidade científica, talvez fruto da nossa postura: o que podemos partilhar, ajudar e dar, fazemo-lo», defende o chefe de missão.(Fonte)
O grupo About Media vai acompanhar esta aventura com apontamentos de reportagem diária para os portais PlanetAzul e AmbienteOnline, sendo que o jornal Água&Ambiente terá um espaço dedicado à grande reportagem da expedição, na sua edição de Agosto.
Segundo Manuel Pinto de Abreu, chefe de Missão da EMEPC, o primeiro objectivo da expedição é a extensão da plataforma continental, numa altura em que Portugal aguarda a resposta da Organização das Nações Unidas às pretensões portuguesas de aumentar a plataforma continental para mais de dois milhões de km2, decisão que se esperaque seja tomada em 2013 ou 2014.
Neste âmbito, o responsável sulinha que há dois aspectos a ter em conta: é fundamental a parte da redefinição da linha de costa e a recolha de amostras geológicas para estudar a unidade global do território imerso. «Temos também a parte do M@RBIS, na qual vamos fazer um teste ao sistema de informação em si mesmo e, ao mesmo tempo, criar metodologia de recolha de informação», acrescenta.
Selvagens têm mais de 500 anos
Descobertas em 1483 por Diogo Gomes, as Selvagens mantiveram-se na posse de famílias portuguesas desde o século XVI até serem adquiridas pelo Estado no século XX, sendo classificadas como Reserva Natural da Ilhas Selvagens.
Os tempos de crise não impediram a realização da expedição, mas, ainda assim, está a ser preparada com os recursos mínimos necessários para viabilizar uma missão deste género. Com efeito, a maior parte do equipamento já pertencia à Estrutura de Missão e os cientistas e entidades que irão participar foram convidados a trazer o seu equipamento. No fundo, foi apenas necessário comprar apenas as ligações aos equipamentos e os patrocínios equilibraram os custos operacionais de toda a expedição.
Para além dos cientistas, uma equipa da universidade do Porto estará a bordo a preparar documentários que irão servir, por um lado, para produzir documentários de divulgação e, por outro, para ajudar a constituir uma plataforma para estudo, que permite a edição e anotação de imagens.
Professores e alunos também aceitaram o convite e não são mais porque nem a logística nem a época de exames o permite. «Todos os núcleos de investigação querem ir ao mar, não há tantas oportunidades como isso, já que é um conjunto de trabalhos muito grande e é um período de tempo relativamente longo. Isto mostra a aceitação que a EMEPC tem ao nível da comunidade científica, talvez fruto da nossa postura: o que podemos partilhar, ajudar e dar, fazemo-lo», defende o chefe de missão.(Fonte)
Subscrever:
Mensagens (Atom)